Inventário: quanto tempo leva e o que precisa para começar

Entenda a diferença entre inventário em cartório e judicial, o prazo para abrir, quanto tempo cada um costuma levar e quais documentos reunir para começar.

MAPor Maria Alice Moura, advogada 20 de outubro de 2026 4 min de leitura
Inventário: quanto tempo leva e o que precisa para começar
Neste artigo
  1. Qual o prazo para abrir o inventário
  2. Inventário em cartório ou na Justiça?
  3. Quanto tempo leva
  4. Documentos para começar
  5. Os custos do inventário
  6. Perguntas frequentes
  7. Conclusão

Depois da perda de um familiar, poucas pessoas têm disposição para pensar em papéis. Mas o inventário é o procedimento necessário para transferir os bens de quem faleceu aos herdeiros. Sem ele, não é possível vender a casa, transferir o carro, sacar valores no banco ou regularizar uma propriedade rural.

Veja como funciona, quanto tempo leva e o que é preciso para começar.

Qual o prazo para abrir o inventário

A lei determina que o inventário seja aberto em até 2 meses após o falecimento. O descumprimento desse prazo não faz a família perder os bens, mas pode gerar multa sobre o imposto de transmissão (ITCMD), conforme a lei de cada estado. Por isso, quanto antes a família se organizar, melhor.

Inventário em cartório ou na Justiça?

Existem dois caminhos:

Inventário extrajudicial (em cartório)

É feito por escritura pública em um Tabelionato de Notas, com a presença obrigatória de advogado. É possível quando os herdeiros estão de acordo sobre a divisão dos bens. Desde 2024, uma resolução do Conselho Nacional de Justiça passou a permitir o inventário em cartório também quando há herdeiros menores ou incapazes e quando existe testamento, desde que cumpridas algumas condições, como a manifestação do Ministério Público em determinados casos.

Inventário judicial

É necessário quando os herdeiros não chegam a um acordo ou em situações que não se encaixam nas regras do cartório. Ele tramita na Vara de Família e Sucessões, com um inventariante nomeado pelo juiz.

Quanto tempo leva

O tempo depende muito do caminho escolhido e da organização dos documentos:

  • Em cartório: quando a documentação está completa e o imposto é recolhido sem pendências, pode ser concluído em poucas semanas ou alguns meses;
  • Na Justiça: quando há consenso, costuma levar meses; quando há briga entre herdeiros, muitos bens ou dívidas, pode durar anos.

Na prática, o que mais atrasa um inventário é a falta de documentos dos imóveis, como escrituras não registradas, imóveis sem matrícula ou áreas rurais sem georreferenciamento.

Documentos para começar

Para dar início, é importante reunir:

  • certidão de óbito;
  • documentos pessoais do falecido e certidão de casamento ou de nascimento atualizada;
  • documentos pessoais de todos os herdeiros e cônjuges;
  • certidão de inexistência de testamento (ou cópia do testamento, se houver);
  • matrículas atualizadas dos imóveis e carnês de IPTU ou ITR/CCIR;
  • documentos de veículos;
  • extratos de contas bancárias e investimentos;
  • certidões negativas de débitos fiscais do falecido;
  • informações sobre dívidas deixadas.

Os custos do inventário

Os principais custos são o ITCMD, imposto estadual sobre a herança, os emolumentos do cartório ou as custas judiciais, os honorários do advogado e o registro da partilha nos cartórios de imóveis. As dívidas do falecido são pagas com os bens da herança, e os herdeiros não respondem por elas com seu próprio patrimônio além do que receberam.

Perguntas frequentes

Se o falecido deixou só uma casa, precisa fazer inventário?

Sim. Sem inventário, a casa continua em nome de quem faleceu e não pode ser vendida ou transferida regularmente.

Um herdeiro pode vender sua parte antes de terminar o inventário?

É possível ceder os direitos hereditários por escritura pública, mas a operação tem regras próprias e direito de preferência dos demais herdeiros em alguns casos.

Valores pequenos no banco também precisam de inventário?

Alguns valores, como saldo de FGTS, PIS e pequenas quantias, podem ser liberados por alvará judicial, sem inventário completo, quando não há outros bens.

Conclusão

O inventário não precisa ser um processo longo e desgastante. Com os documentos organizados e acordo entre os herdeiros, o caminho do cartório costuma ser rápido. O importante é não deixar o tempo passar, para evitar multas e problemas com os bens.

Ficou com alguma dúvida?

Cada caso tem detalhes que fazem diferença. Se quiser, envie sua dúvida e receba uma orientação sobre a sua situação.

Compartilhe: WhatsApp Facebook

Conteúdo informativo, atualizado na data de publicação. Ele não substitui a análise do seu caso por um profissional.